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Juan Pablo Villalobos Em “Festa No Covil” Concebe Uma Parábola Do Capricho

Luís Cláudio Machado

 

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Juan Pablo Villalobos – foto: Miquel González

Juan Pablo Villalobos (1973) é um nômade (nascido em Guadalajara, já viveu em Campinas e hoje está estabelecido em Barcelona), mas seu país é sua grande fonte de inspiração. Seu primeiro livro, Festa no Covil (Cia das Letras, 2012), dá início à trilogia sobre o México, seguido de Se Vivêssemos Num Lugar Normal (Cia das Letras, 2013) e Te Vendo Um Cachorro (Cia das Letras, 2015). O primeiro deles é uma novela que narra as vivências, ou parte delas, de Tochtli, cuja peculiaridade é ser filho de um importante narcotraficante chamado Yolcaut. Seu narrador protagonista é uma criança que vive trancada, cercada de luxos ilícitos. O pai procura satisfazer todos os desejos do filho, o último: um hipopótamo anão da Libéria. Típico no caso de um menino que vive, tão precocemente, uma vida falsa, quase surrealista.

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“O Filho De Mil Homens”, de Valter Hugo Mãe – Uma Lição De Amor E Beleza

Luís Cláudio Machado

Já bem conhecido dos brasileiros, Valter Hugo Mãe, poeta, músico, editor, romancista, desenhista e apresentador de TV, é uma voz única nas letras lusas. Formado em direito e pós-graduado em literatura portuguesa contemporânea, publicou seu primeiro livro (Silencioso Corpo de Fuga – poesia) em 1996, aos 25 anos. Em 2007 venceu o Prêmio Saramago. O Nobel de Literatura assinou o prefácio de seu romance O Remorso de Baltazar Serapião, de 2006, na sua visão um “verdadeiro tsunami literário”. Nesse post, tratamos de O filho de mil homens – seu quinto romance, lançado no Brasil em 2012, pela Cosac Naify -, uma excelente opção para se iniciar na obra do autor, pois de uma escrita poética que lhe confere musicalidade e leitura prazerosa ao falar da importância de se aceitar para ser feliz.

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Valter Hugo Mãe – Foto: Rita Rocha

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Arthur Miller – A Consciência do Teatro Americano Do Pós-Guerra

Luís Cláudio Machado

No dia 10 de fevereiro de 2005 faleceu aos 89 anos o escritor Arthur Miller, de insuficiência cardíaca. O teatro americano perdia um grande nome, um verdadeiro vencedor que compreendeu que somos todos uns fracassados. Para o escritor tcheco Vaclav Havel, era o “melhor dramaturgo do século XX”. Miller considerava o teatro “…um negócio sério, que faz ou deveria fazer o homem mais humano, isto é, menos solitário“. Em seu legado figura uma série de peças que marcaram a cena americana. Em sua memória, os quatro casamentos, o segundo deles com a atriz Marilyn MonroeActio libera lembra hoje esse autor, suas obras, os prêmios que recebeu e algumas de suas célebres frases.

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Arthur Miller – Foto de Alan Solomon

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“A Humilhação”, de Philip Roth ou A Indecifrável Natureza Do Desejo

 Luís Cláudio Machado

Quando os historiadores futuros escreverem a crônica da sexualidade e do erotismo do século XXI, Philip Roth merecerá um lugar privilegiado nas fontes. Poucas obras contemporâneas como a do mestre de Newark exploraram as profundezas do desejo erótico e, particularmente, do desejo masculino. Desde O Complexo de Portnoy (1969) até A humilhação (Cia das Letras, 2009), quarenta anos depois, sua obra é uma prolongada meditação romanesca acerca do eros, pois em Roth, como em todo verdadeiro romancista, o romance não é o meio pelo qual expressa seu pensamento, mas a forma do pensamento em si.

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Philip Roth – Foto de Joe Tabbacca

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Como Encontrar Mais Tempo Para Ler E Porque Você Deveria Fazê-lo

Texto traduzido por Luís Cláudio Machado do site hipertextual, da empresa espanhola de conteúdos digitais homônima, fundada em 2005. Composta por uma equipe multidisciplinar, encontra-se na intersecção entre a tecnologia, a ciência, as humanidades e seu impacto na sociedade.

“Em toda minha vida, não conheci nenhuma pessoa sábia que não lesse o tempo todo. Nenhuma. Zero”. Charlie Munger, leitor voraz, multimilionário e vice-presidente de Berkshire Hathaway.

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Caricatura de Charlie Munguer

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Vade Retro, Santa Claus: Sobre A Comédia Francesa “Papai Noel É Uma Merda”

 Luís Cláudio Machado

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Feliz falsidade e próspero engano novo! Para aqueles que como eu não gostam de Natal, no meu caso, com o agravante de ter nascido nesse dia, ler é sempre uma alternativa de fuga do espírito natalino, mas se não quiser fugir totalmente, o que é praticamente impossível, há inúmeros textos literários consagrados à festa cristã. Nesse post, o mais engraçado que já li tendo o Natal como mote: a peça de teatro criada em 1979 pela trupe francesa Splendid, Le Père Noël est une ordure (Papai Noel é uma merda), adaptada em 1982 ao cinema pelo diretor Jean-Marie Poiré. Continuar lendo

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Dilemas Éticos em AMSTERDAM, de Ian McEwan

Luís Cláudio Machado

Considerado hoje um dos escritores fundamentais das letras anglo-saxônicas, poucos imaginam que o célebre escritor britânico Ian McEwan, ganhador do Booker Prize em 1998, sobreviveu em sua juventude trabalhando na Grécia como gari. Com o dinheiro pode frequentar as Universidades de Sussex e de East Anglia na Inglaterra e ser aluno no curso de escrita criativa de Sir Malcolm Bradbury, destacado escritor, professor e historiador literário. Começou sua carreira publicando os livros de contos Primeiro amor, últimos ritos (1975) e Entre os lençóis (1978), que causaram grande controvérsia por tratar de perversão sexual e morte com aparente normalidade. Amsterdam (Cia das Letras; 2012), publicado em 1998, foi o vencedor do Booker em meio a uma grande polêmica sobre sua suposta incorreção política. Boa parte da crítica foi desfavorável pois considerava inapropriado premiar um romance no qual personagens frívolos assumiam de maneira superficial temas tão pungentes como a eutanásia e a moral inglesa.

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